Sobre a importância de se pôr em movimento

Durante os quase 20 anos de formada que tenho, noto que umas das maiores riqueza e aprendizados que tive foi me colocar literalmente em pleno movimento.

Foi neste caminhar que pude perceber o mundo com meus próprios olhos. Esse aprendizado obtive caminhando pelo mundo, mas em especial pela Amazônia com meu professor de pós-graduação, hoje um homem centenário, que sempre dizia com um “primates air”: “Filha, primeiro ver, para depois ler”.

Inicialmente achava aquilo não tão óbvio, afinal de contas, nas próprias academias e universidades, acabamos sempre por fazer o inverso. Aprendemos primeiro a ler, aprendemos com o que nos passam, e por fim, aprendemos por nós próprios. Penso que deveria ser o inverso, e por isso, talvez, nos sintamos tão inseguros em confiar em nós e em nossas próprias experiências.

Bom, mas ao me pôr em movimento pelo planeta, consegui compreender o abismo entre o que lemos e vemos. Ou entre o que as pessoas nos ensinam e nossas próprias experiências. E, foi ao ver com meus próprios olhos, sentir com meus próprios sentidos, que pude me tornar o ser que sou hoje.

Praticamente todas os sistemas de crenças que me passaram caíram por terra. Nesse território quase etéreo de não ter que crer mais em nada e aprender a só a observar e ver com meus próprios olhos, já me trouxe uma capacidade de liberdade imensa.

Quando caminhamos por chãos diferentes dos nossos, acabamos observando que muitas coisas funcionam sob diferentes perspectivas, para se chegar a mesma finalidade, por exemplo e no nosso caso, a cura!

Assim, surgiu o meu respeito ético ao próximo. Ao colega veterinário, que como eu, também tem seu próprio modo operandis de perceber as coisas. Aprendi a ver e perceber o mundo externo através de algo que carregamos internamente, e quanto menos presos estivermos em nossas crenças, dogmas e “verdades absolutas”, mais capazes nos tornaremos para ter olhos ampliados, abertos e perceptivos para o novo. Para um encontro. Para os milagres.

Esse olhar depende de caminhar para longe do nosso centro e de nossas raízes, sem que perdamos nossa essência. Mas, não sendo possível se colocar como nômades ou caminhantes, podemos sim, fazer isso sem sair do lugar, bastando para isso, apenas nos despirmos internamente de tudo que nos ensinaram, e RE-observar tudo ao nosso redor.

Certamente, encontrarás muitos mundos no seu próprio mundo! Certamente, perceberás as infinitas possibilidades de sermos felizes. A caminhada, portanto, será sempre solitária, individual e intransferível…mas a melhor forma de perceber a vida, é sem duvidas deixando ela fluir por dentro de você. Sentindo…ai sim, poderemos ler e entender…poderemos ouvir o outro e serenar…

Namastê
Carla Soares

Como surgiu o nome Soul Vet?

Sempre me senti sufocada com rotinas estafantes, lugares e protocolos fechados e inflexíveis. Desde que decidi ser uma veterinária nômade, e caminhar me colocando a serviço em lugares isolados onde poucos querem estar, eu percebi que minha vibe é olhar de forma livre tudo que me foi ensinado. É aprender olhando o mundo. Olhando a forma como as pessoas vivem. Olhando como os animais são criados em diferentes regiões. Olhando como as pessoas se desenvolvem com mais ou menos recursos. Olhando tudo que muda no mesmo lugar e que muda a cada quilômetro.

Quando fui intuída a idealizar e materializar o Soul Vet, muitos nomes vieram a minha mente. Algo meio moda como quântico, ou integrativo, quantum, holístico,..e muitas outras ideias mentais. Todas ótimas, mas algo ressoava estranho com a proposta magna do Portal.

Um dia estava meditando (prática rotineira já adotada a mais de 1 ano), eu estava neste estado de entrega e acolhimento com meu Ser, e meu mentor que nestas horas, sempre está nitidamente e perceptivelmente ao meu lado, se manifesta com suas doces palavras, e sussurra em meus ouvidos:

– Filha, você é tão profunda em tudo que faz. Isso é alma. Isso é presença de espírito. Isso é pôr o coração a seu favor e a favor de outros seres. Porque não pensas em algo assim. Sem falar que tudo que gostas de esportes é um estilo antiguinho, retrô, clássico, minimalista”.

Depois do que meu amigo mentor falou, fiquei ainda ali sentada com meus olhos fechados e um semblante meio blasée querendo entender a mensagem.

Pensei, bom esse portal é para conectar consciências. Esse portal é para ligar uma pessoa a outra. Pessoas que de uma certa forma, acredito que devam ser mais sensíveis. Pessoas que estão conectadas pelo entendimento e consciência da existência de uma energia primordial, do todo, numa visão completa e integrada do Ser.

Pessoas que levam em consideração a alma do paciente, a alma do tutor, pessoas que consideram o Grande Espírito do meio ambiente que lhes cercam. Hummm (risos), a alma, o que aníma. O que dá fluxo, o que dá movimento, o que esta conectado com o todo, o que dá vida. Médicos da alma e com a alma. Rapidamente me veio na cabeça o estilo de surfe que gosto, aquele meio soul classic.

Miguel, meu mentor num rápido suspiro falou: “Esta quente filha, e deu uma risada”. Eu na mesma hora, falei: Bingo (risos), veterinários de alma. Logo em seguida veio na minha mente, que é um projeto sem fronteiras, então foi me pedido que eu traduzisse para um idioma mais universal: E veio tão suavemente as palavras… Soul Vet.

Dei um leve sorrisinho meio “monalisa” e não tive mais dúvidas. Soul Vet.

Esse é o nome que traduz perfeitamente a dimensão de consciências que o projeto pretende atingir. Incontáveis como as infinitas possibilidades das inúmeras realidades paralelas que podemos seguir.

Como as inúmeras versões da nossa própria alma. Como as infinitas possibilidades de nossas manifestações.

Fica aqui, portanto, declarado ao Universo, o nascimento do Soul Vet: Um projeto dedicado aos Médicos Veterinários que trabalham com a alma!

Namastê
Carla Soares

O Dia que me dei conta de que estava preparada para ser uma Veterinária Nômade…

Sempre fui espírito livre. A vida profissional da minha família me proporcionou essa visão livre do não-apego. Quando criança até os dias de hoje, mudei para todas as regiões do Brasil. Perdi as contas de quantas escolas, bairros e casas eu vivi. Amigos? Fui cativando e sendo cativada por cada lugarejo que passei, e os elos sempre foram invisível… alguns deles, diga-se de passagem, inquebrantáveis.

Bom, isso tudo é ruim? Para mim não foi. Essa peregrinação me permitiu ter uma ampla visão de culturas e modos de vida. Me permitiu aos 18 anos já não morar mais com minha família. Me permitiu sentir climas e ecossistemas diferentes. Me permitiu clinicar como médica veterinária de diferentes formas.

Esse desprendimento me proporcionou a coragem para me enveredar na maior floresta tropical do planeta por quase uma década. E já um pouco cansada da rusticidade da vida, um dia acordei, abri uma bela garrafa de vinho. Peguei o mapa do Brasil, coloquei um jazz ao fundo, dei um gole no vinho sagrado com os olhos fechados e passei meus dedos pelo mapa suavemente. Deixei ainda por segundos o vinho sobre minha língua para que aquele momento fosse único e eu estivesse perceptivelmente presente.

Abri os olhos bem relaxada e rascunhei o mapa com meus olhos buscando decidir aonde fincaria minhas raízes e dali só sairia a força. Depois de sobrar poucos lugares dos quais eu ainda não tinha passado, meus olhos saltaram para um pitoresco estado brasileiro chamado Paraíba. Quis dar um sentido estratégico/geográfico para minha escolha, como estradas, universidades e aeroportos próximos, mas no fundo no fundo, esses pontos não foram o motivo da minha escolha.

O motivo principal da minha escolha, foi simplesmente morar numa cidade de pescador, com um “lifestyle surf natureba”, ter poucas horas de trabalho e uma dedicação ao meu ser, ou seja, ter tempo para começar a fazer o caminho (TAO) de volta ao meu interior.

Pensei que iria nesta vila me enraizar. Comprei uma linda casa num local semi-deserto, decorei com meu estilo pé no chão e por ai vai. Cultivei um lindo jardim com o foco: “daqui não saio, daqui ninguém me tira”.

Passado 3 anos já veio aquela angustia. Aff (risos), o que será que está acontecendo? Tenho tudo que quero, num lugar paradisíaco aonde as pessoas tiram férias, trabalho com o que gosto, tenho um companheiro de jornada parceiro e amigo. Mas o vazio interno começou a gritar.

Iniciei meu caminho de interiorização do meu Ser, que respingou de forma meio louca e dolorosa a todos que estavam muito próximos de mim. Não é fácil passar pela noite escura da alma com pessoas que amamos por perto. Mas, sabia que era um caminho sem volta. Meu paraíso começou a desmoronar e minhas raízes começaram a ficar sufocadas na bela casa, no belo jardim, na bela vida ao lado de um companheiro, na minha vida profissional. Não conseguia compreender como com tudo perfeito e eu ainda querendo voar.

Não sabia como mudar a minha vida perfeita. Mas, hoje já mais amadurecida mediúnica e espiritualmente, entendi que quando não tomamos a decisão na hora certa, o universo dá seu jeito.

E foi quando eu e meu companheiro sofremos um sequestro com 5 homens fortemente armados, que nos arrancaram bruscamente de nossa realidade, de nossas vidas e de nossos corações. A perda de tudo e a separação física inevitável (por sobrevivência e cura do trauma que ficou), me colocou numa caverna escura, aparentemente sem saída. Cheia de dores e questionamentos. Mas um dia, depois de longo período de lagrimas e dor, percebi um foco de luz no meio do caos.

Me tratei junto a minha família, numa cidade grande (totalmente diferente do meu “lifestyle” pé na areia, e realmente fui me dando conta de uma bela frase do físico Marcelo Gleiser: “Por trás de todo o caos, há uma ordem impecável!

E, foi neste exato momento, que percebi que todo o caos que se passará em minha vida, foi para me trazer para mais perto do meu verdadeiro estilo de vida livre. Para mais perto de ser o que sempre fui: uma veterinária nômade digital, que ama peregrinar, escrever e ajudar as pessoas por lugares diferentes e por tempos incertos.

Quando perdi tudo que é material, o que foi o meu caso com o sequestro, percebi que podemos ter uma vida minimalista, feliz e bem mais leve. Carregando menos coisas e pagando menos impostos de uma sociedade aonde o “ter” é o verbo de status quo do Ser. Hoje, sei que não posso parar por muito tempo em algum local, meu espirito sempre me exige movimentação fora da zona de conforto. É nesta “zona desconfortável” que ele aprende e cresce.

Claro, que um ninho e um tempo de segurança é importante, mas eu mesmo num “ninho” aconchegante, sei que segurança é ilusão…neste aparente porto seguro, podemos apenas dar uma respirada, tirar os sapatos, tomar um banho quente, e recostar um pouco, com o mesmo prato de comida, a mesma rua, o mesmo vizinho, a mesma roupa passada no canto esquerdo do armário. Mas, por quanto tempo somos capazes de suportar essa segurança? Por quanto tempo nosso espirito tenta nos guiar a uma direção, e nós brigamos com ele e seguimos por outro, ou melhor, não o seguimos? Por quanto tempo somos capazes de fazer os mesmos programas de final de semana, porque não conseguimos mudar o restaurante, o parque, a feira, o mercado, a forma de trabalhar, os horários do jogo?

Quando foi que você decidiu mudar tudo? Ou pelo menos uma das suas “seguranças”. Isso é um convite a reflexão. É também um incentivo a ver fora da prisão invisível que nós mesmos construímos.

Neste lifestyle nômade, aprendi a não deixar mais o externo, as rotinas e as crenças do mundo material exercerem força sobre meu Ser….

Aprendi a compartilhar a vida e não as coisas…aprendi a ter coragem de mudar, porque é no desconforto que nosso espirito é treinado e expandido. É fora da nossa zona de conforto, que crescemos…Hoje minha casa é o planeta, e meu jardim as todas florestas..

Abraços
Carla Soares