QUANDO OS OLHOS FALAM SOBRE O AMOR E SOBRE O RECONHECIMENTO DOS SERES

 

Segue abaixo um breve relato de uma tutora de 2 cachorros, sendo que um deles fora diagnosticado com lipidose corneal e, durante a constelação sistêmica, revelou-se a função dessa “doença” dentro do sistema familiar.

Gostaria de compartilhar impressões minhas fruto da constelação do meu cachorro B1*, das constelações sistêmicas que assisti e participei como representante e do Gato Dud*, que fugiu e “que queria ser livre”.

Primeiro quero dizer que sinto o B1 se alimentando melhor. Não vejo “frescura” antes de ele comer. Ele está mais tranquilo. Procuro deixá-lo mais à vontade também, já que ele disse (no campo) estar sobrecarregado. Em relação ao Be*, me sinto mais apaixonadinha por ele.

Alre*, meu marido, me acha mais próxima dele. Ainda não tive a oportunidade de conversar com minha mãe sobre o segredo de família, sobre o medo que o Be traz para ser olhado.

Ao mesmo tempo dias após a constelação da El* e da Prin*, sonhei com os meus cachorros. No sonho eu e meu esposo morávamos em um apartamento e os cachorros não podiam viver conosco, mas sim num “espaço pet” do prédio. Era um lugar que tinha atividades voltadas aos cachorros, mas eu sentia dificuldade em estar com eles.

Certo momento nos reencontramos e foi tão lindo, B1 me abraçou e me levantou pro alto com um lindo suspiro. Que conexão a nossa! Acordei emocionada e refleti durante o momento do banho o porquê da presença dele em nossas vidas.

Lembrei de um vídeo que abordava a vinda dos animais para nossos lares e a relação da chegada dos bichinhos  com as exclusões. Logo me veio à mente: Batman chegou até nós no momento da doença de meu pai. Assim que pensei isso lágrimas vieram junto com a água que descia do chuveiro.

O caso do gatinho Dud também me fez pensar muito. A tutora disse que o Dud queria ser livre e que ele refletiu a liberdade dela própria. Novamente refleti sobre os olhos do B1. Ontem o levamos à oftalmologista para acompanhamento da lipidose corneal e a médica disse que o olho está mais opaco, disse também que “o caso dele piorou”.

Ela pediu exames para ver os triglicerídeos, glicose, procedimentos padrão, mas algo na fala dela me fez pensar. Ela esclareceu que com a mudança dele para uma alimentação natural e depois novamente para a ração o corpo dele reagiu. “O que ele tem é sistêmico” – ela afirmou. Eu entendi tudo o que ela havia dito e sim, logo em seguida fizemos todos os exames, mas uma palavra dita por ela me chamou a atenção: “sistêmico”  Pensei: “Tá aí! É sistêmico mesmo!”, não só do ponto de vista fisiológico, orgânico, mas também considerei o que me fora apresentado quando das constelações com pessoas humanas e não humanas.

À noite, em casa, me veio à mente minha relação com a minha irmã. Ela é quase 5 anos mais velha que eu e sinto que ela nunca gostou de mim. São 2 anos e meio sem nos falarmos. Em resumo – meu pai faleceu e desde então questões emocionais vieram à tona. Muitas dores e curas foram trabalhadas desde então. Mas ainda não falo com ela nem ela comigo. Sempre fui atrás dela, agora não quero mais. Não quero, não como antes. Quero uma relação de transparência.

Pois bem, quando pensei que gordura serve para proteger, refleti: “Qual a função da gordura nos olhos do B1? O que não quero ou não consigo ver na relação com minha família e por isso a gordura cobre a córnea dele? Se os animais possuem os 5 sentimentos básicos como amor, alegria, raiva, tristeza e medo, será que por lealdade e identificação com nosso sistema B1 está espelhando minha raiva, meu medo?”

E mais, pela linguagem do corpo, doenças nos olhos podem representar coisas que não queremos ver seja por ressentimentos ou mágoas.

Falei tudo isso ao meu esposo com uma força que juro que ainda que a lipidose do B1 seja fruto de uma questão biológica, tem algo aí, o campo informou algo que transcende uma análise puramente biológica.

Neste sentido, caminho para não apenas “cuidar” da visão de meu querido B1, por meio da orientação alopática e clínica que tão importante é, mas também para me trabalhar no sentido de entender meu papel dentro de meu sistema familiar; de compreender as origens de sentimentos e emoções que perpassam meu ser.

Ao mesmo tempo, começo a refletir sobre a relação estabelecida com a médica veterinária oftalmologista que há quase 3 anos acompanha o B1 e a nós também. Nas consultas seguintes após a constelação de B1, fui de coração aberto seja para uma possível evolução da lipidose corneal ou não de nosso cachorro. Não coloquei a responsabilidade na médica, pois ficou claro que ela também faz parte dessa dinâmica, de algum modo que está além de meu entendimento, mas que faz sentido ao “sistema”.

O curioso é que a opacidade da córnea não evoluiu e a consulta foi leve tanto para médica, tutores como para o B1. Com muita emoção, digo que respeito a Dra. Ac*, reconheço toda a formação acadêmica, bem como a experiência profissional dela, assim como a honro como ser envolvido nesta teia.

Por fim, com a experiência das constelações sistêmicas veterinárias espero continuar neste processo de conviver com nossos animais, de ouvi-los, de ampliar minha compreensão sobre minha família, entendendo que a “doença” fala conosco e que amorosamente podemos dar a ela voz e assim crescermos enquanto seres humanos.

 

Grata sou à Vida, grata sou ao momento atual do planeta Terra que está acolhendo as abordagens integrativas dentro da medicina humana e não humana, grata à Dra. Carla Soares pela sensibilidade e profissionalismo ao conduzir estes eventos fenomenológicos e grata ao meu Be, que, de resgatado, em verdade, resgatou nossos corações.

Para esse pequenino fica, quem sabe, um próximo texto – pois a presença dele traz mais que amor e aprendizados, traz uma mensagem de meu querido pai, agora em outro plano.

Estou numa postura de abertura e reverenciamento ao que vier.

Assim é.

Kílvia Bernardes Cunha em 18/7/2019.

** Nomes fictícios para preservar a identidades dos envolvidos.