Valide suas próprias experiências

Hoje acordei me lembrando do meu professor de pós graduação, Prof. Dr. Milton Thiago de Melo, um dos primeiros primatologistas e médicos veterinários do Brasil. Homem, hoje, com 102 anos totalmente lúcido e ativo, me disse um dia em nossas longas caminhas pela Amazônia e em nossas longas navegações de barcos de madeira pelos rios que cortam a floresta. “Filha, não se esqueça de primeiro ver para depois ler”.

Infelizmente a maioria das universidades de medicina veterinária nos conduzem primeiro a uma leitura, onde acabamos por criar várias realidades em nossas mentes, e quando caímos em campo ou morremos de tédio ou ficamos eufóricos.

Em alguns casos, pode acontecer de ficarmos sem o fio condutor ou conexão entre o que lemos e o que estamos presenciando.

Esse ensinamento é muito mais profundo do que imaginamos, uma vez que saímos tão inseguros em nossos primeiros passos, que passei a refletir sobre isso em minha jornada, e comecei a analisar que essa insegurança se inicia ainda quando damos nossos primeiros passos como criaturas humanas, lá pelos 3 anos de idade ou até menos.

Quando as pessoas nos dizem: “Cuidado, aí é perigoso, você vai cair ou se machucar”. Nós acabamos nos retraindo e não vivendo “x” experiência. Ao seguir o “outro”, não vivemos a realidade através de nós, e sim, percebemo-as através do “outro” projetado em nós.

Assim, acabamos por crescer e nos desenvolver desta forma.

Muitas vezes, acabamos por ter as experiências induzidas pelos outros ou pelo que o social nos conduz, ou acreditando em todas as “histórias” que nos contaram. Isso pode acontecer, mesmo vindo de pessoas que amamos, infelizmente. Mas devemos ter a compreensão amorosa e respeitosa de que apenas estão repetindo e repetindo pelas gerações, o que aprenderam e acreditaram.

Até ai, tudo certo. Mas, agora, o planeta urge por um novo olhar. Um novo espaço, uma nova conduta, uma nova força e energia que é criada e descoberta a partir de nós próprios.

Essas desvalidações que fazemos com nossas próprias realidades, nos enfraquecem como seres humanos, como profissionais de saúde e como seres de luz (essência). Toda essa força, fica mascarada em meio a nossa cultura, educação, nossos grupos e guetos e todas as mais variadas formas de imposições sociais, sejam elas sutis ou escancaradas.

Resumindo a ópera, nossos pais validam nossas experiências, depois nossos amiguinhos, depois nossos professores, depois nossa família, depois mais professores e por fim, e em última instância, nós acabamos por não acreditar mais em quem somos, e muito menos no que somos capazes de seguir quando vem de nossa própria cabeça, de nossos instintos e de nossas intuições.

Não crescemos livres, não nos formamos profissionalmente de forma livre, e não somos treinados a exercer nossa liberdade com sabedoria. Muitos acham que liberdade é sair atropelando a si e aos outros. Só que não. Quando a liberdade vem regida por nossa essência, coração e sabedoria, passamos a ser capazes de manejar a espada com bem menos chances de ferir os outros e a nós próprios.

Quando começamos a seguir nossa força, podemos ficar por vezes, inseguros de acreditar que somos capazes.

Mesmo que no início possamos dar uns tropeços, é válido insistirmos em nossas guianças. Elas sabem onde nos levar e o que de fato, precisamos aprender.

Esse negócio de acreditar em nossas “verdades” é tão sério, que quando seguimos nossas vontades e dá tudo certo, somos capazes, até inconscientemente, de burlar ou boicoitar nossas conquistas. Ou até mesmo sentir culpa. Podemos ainda ser mais cruéis, e nos punirmos pelo acerto e por termos cortado o cordão umbilical com mundo.

Podemos fazer de tudo, para voltarmos a situação de mendicância direcional, como se nosso GPS sempre estivesse quebrado e o do “outro” viesse da NASA.

Pensemos, que toda essa história de se guiar por outrem precisa ser trazida a luz da consciência, pois não há duvidas quânticas, de que a realidade é criada exclusivamente por nós através de algo maior, através de nossa programação mental, emocional, física e espiritual, passamos a ser capazes de sermos co-criadores do que projetamos de fato para fora de nós.

Ou seja, só vivemos o que de fato percebemos/sentimos.

E como a percepção é individual, então cada um manifesta sua própria realidade. Quanto mais atento você estiver, mais realidades desejáveis poderão ser expressas por você. Quanto mais “apagadinho ou semi-morto” estivermos, mais dentro da realidade do coletivo e do outro estaremos.

Por isso, me guio muito pelo caminho do meio, aonde posso transitar livremente com meus conhecimentos adquiridos, muitos científicos e outros bem ignorantes. Transito pelo o que meu coração mostra e percebe, e também pelos milagres comprovados da ciência. Já fui pesquisadora, mas nunca abandonei meu lado poeta, e assim, jamais desvalido o que vem de dentro.  Isso se chama auto-empoderamento consciente.

Quando tomei consciência de que o que percebo, é o que é real para mim, passei a não querer mais discutir pormenores de gênero, gosto, credos, tendências e outras besteiritas mais. Porque aprendi que, cada pessoa tem a realidade que é capaz de alcançar com sua própria percepção.

A minha atualmente é incomedida, incomensurável e sinceramente atrevida e sem o filtro do “outro”. As vezes, ainda escuto e permito ruídos, mas tento encontrar a minha própria força.

O mesmo faço em minhas consultas. Tento me manter firme na liberdade consciente para que eu não desempodere nem o responsável pelo animal, e nem tão pouco meu paciente, “entupindo-o de medicações” achando que ele não é capaz de mudar aquela realidade. Somos todos capazes. Todos.

E gosto, desta minha percepção não ter limites e nem lentes.

Minha percepção me permite viver infinitas realidade, e ninguém poderá me mostrar outra que não seja essa, aonde tudo é possível, até o que eu não possa compreender.

Aprendi que o que eu percebo, é real para mim. E eu aprovo, valido e autorizo sua materialização, até mesmo o “raladinho do joelho”, “os dentes quebrados pelo surf e aventuras no mar”, “os protocolos que eu segui e sabia que daria errado”, “e os beijos que não foram retribuídos”. Tudo é válido e validado por mim.

E como disse o Professor Milton Thiago de Melo, aquele de 102, vivíssimo… para mim e para a Dra. Mariana Mello recentemente: “os milagres são apenas os acontecimentos que a ciência ainda não conseguiu provar… tudo é questão de tempo…”

Desta forma, contemple a poesia dos milagres em sua vida, porque depois esses mesmos milagres podem se tornar “papers”, “artigos” ou “banners” de congresso em alguma biblioteca ou estante empoeirada, em algum lugar do planeta, onde talvez você não consiga acessar…

Com carinho e amor
Carla Soares
Diretora do Portal Soul Vet

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