Quando a pergunta é simples, mas é profunda!

Dr. Marcos Fernandes (SP) respondeu a linda pergunta da estudante de veterinária Gabriela Urbina (RR) no vídeo novo do portal, e tudo trouxe uma reflexão.

Quando encontro estudantes de medicina veterinária lúcidos, isso me traz uma alegria imensa. Mais ainda, quando sinto que estamos ficando com uma demanda reprimida de mais e mais estudantes de medicina veterinária e profissionais interessados nas inúmeras linhas terapêuticas da medicina integrativa/holística, isso me dá uma segunda alegria.

Por quê? Porque, isso significa que esta havendo uma sutil mudança em nossa medicina. Está havendo um chamado para que os médicos veterinários e a própria medicina, comecem a desenvolver trabalhos mais integrados e sistêmicos, olhando nosso paciente com seus corpos emocionais, mentais, físicos e espirituais.  E mais, dentro de um ambiente familiar ou de abandono, onde tudo está interligado e emaranhado quanticamente.

Vamos mais profundamente ainda, nunca na história da Medicina Veterinária Mundial, nos preocupamos com o médico veterinário em si. Nunca nos ensinaram a nos olhar. Nunca nos ajudaram antes de nossas formações e durante, a nos acolher, a nos compreender como seres.

Nunca nos trouxeram ferramentas de autoconhecimento que nos ajudassem a nos fortalecer, para que saiamos de estados exaustivos de frustração, estresse e desvalorização. Nunca nos trouxeram conhecimentos milenares dos orientais, em como focar no caminho e não na chegada. Nunca nos ensinaram que tudo chega até nós se agirmos pela não-ação, e que as coisas de toda sorte, vem, mas não do nosso modo, no nosso tempo ou de nosso jeito.

Nunca nos falaram em nenhuma disciplina que para cuidar do outro, devemos sentir amor interno primeiro por nós.

Na verdade, somos apenas preparados tecnicamente para uma medicina assistencialista e para a guerra social. Somos preparados para sermos vaidosos, para sermos os melhores entre os melhores, para sermos os mais destacados e os mais inabaláveis. Além de todas essas exigências e pré-requisitos, devemos ainda ter um estado de compaixão ilimitado, irrestrito e sob um olhar julgador de uma sociedade já adoecida, que nos cobra a supremacia da perfeição e do endeusamento.

Não consigo me lembrar de todos os questionamentos que já tive ou já ouvi, mas seguem alguns:

Como nos sentimos com as famosas “olhadinhas”? Como nos sentimos quando um colega nos destrata, nos desrespeita, lê nossas mensagem e nunca mais respondem, ou quando eticamente nos julgam em falatórios cansativos e maldosos?

Como nos sentimos quando em nossas academias de formação sofremos insultos, e temos que nos engendrar em grupinhos e “mimimis” demasiados para não nos sentirmos sós? Como nos sentimos quando precisamos trabalhar para colegas veterinários que nos desrespeitam em nossas condutas e prescrições porque eles querem que você “venda” sem ganhar nenhuma percentagem os medicamentos da sua loja?

Como você se sente quando vê seus colegas de faculdade e os de profissão esbanjando fotos em congressos e eventos sociais (alguns por sinal bem vazios), e você não tem como financiar a continuidade de seus estudos e especialidades?

Como você se sente, sendo julgado por seus títulos, muitas vezes sendo compilado a destinar sua preciosa vida a um mestrado, um doutorado ou um pós-doctor, e isso em nada acrescenta em sua alma e nem a sociedade, porque um dia te contaram que isso é sinônimo de ser um bom profissional? Neste ponto, é importante que eu explique meu raciocínio. Tudo que fazemos com a alma/coração é valido. O problema é quando estamos a serviço do ego. Então se você sentiu um chamado verdadeiro em seu peito para fazer esse trajeto, então, está tudo certo e alinhado com seu propósito.

Como você se sente, tendo que decidir pela eutanásia de um paciente?

Como você se sente quando um colega faz preços mais baixos e desonestos e tem muitos clientes por causa disso? Como você se sente quando tem um parente querido doente, ou você esta passando por um divórcio, ou chegam as contas da escola dos seus filhos e a conta não fecha?

Como você se sente aos domingos em frente a uma televisão e sem perspectivas de conseguir mudar sua vida? Como você se sente, quando as suas segundas são sempre iguais?

Como você se sente quando um tutor te insulta ou acumuladores despejam animais em cima de você e até mesmo abandonam eles em sua residência, porque acham que você tem obrigação de cuidar e aceitá-los? (em cidades menores as pessoas sabem aonde o veterinário mora…já vivi isso).

Como você se sente quando não querem te pagar para ser o responsável técnico do pet shop ou da empresa de alimentação natural?

Como você se sente como profissional, quando você é um visionário, um pioneiro, e o sistema te bloqueia, te denuncia, te despreza?

Como você se sente quando você vai trabalhar para um colega e não aparece nenhum cliente/paciente, mas você passou quase 12 horas na clínica, gastou seu próprio combustível e gastou para se alimentar na rua?

Como você se sente quando um tutor diz que não vai fazer a prescrição porque é caro e prefere abandonar o animal na rua?

Como você se sente quando os técnicos da equipe te insultam, porque acham que sabem tanto quanto você? Ou a secretária da clínica?

Como você se sente quando chegam animais provenientes de maus-tratos e você se sente impotente diante dos fatos?

Como você se sente, sabendo que em 1 semana você será “cuspido” no mercado de trabalho?

Como você se sente quando você é o proprietário de uma clínica, e chegam “trocentos” impostos para você pagar, sabendo que nunca o dinheiro vai para o destino certo, e que por vivermos num país sem segurança, a qualquer momento sua clinica pode ser arrombada, assaltada e estrupiada?

Como você se sente quando você está com ansiedade, tristeza, medo, angustia, e tem que ir trabalhar e sorrir para o outro, quando você na verdade só queria estar num quarto escuro em posição fetal?

Como você se sente quando um professor, chefe ou superior faz um assédio moral ou sexual a você?

Como você se sente, quando você é mãe ou pai divorciada(o), ou viúva(o) ou solteira(o), e tem filhos, e não sabe como dividir sua vida profissional com a sua vida pessoal?

Como você consegue conciliar seu trabalho quando por algum motivo você tem algum vício que pode interferir na segurança do seu trabalho, como uso de drogas e bebidas?

Como você se sente, quando te perguntam como você se sente?

Tudo isso nos trás a uma triste estatística de uma das profissões que trazem mais índices de suicídio no mundo. Praticamente, 1 a cada 6 estudantes ou profissionais veterinários, colocam “fim” a este sofrimento, que perpetua por toda uma eternidade nele próprio e em seus familiares.

O toque de alerta já foi tocado em todo o mundo, e felizmente, alguns médicos veterinários holísticos/integrativos, psicólogos e terapeutas têm despertando já para a sensibilidade que esta questão nos trás.

Neste campo mórfico, eu, Dr. Marcos Fernandes e a Dra. Pétuli Consentini, tivemos um profundo chamado para esse olhar aos estudantes e aos médicos veterinários, e estamos nos fortalecendo entre si com nossos conhecimentos, nossas intuições, nosso amor e nossas experiências, para que possamos levar algum instrumento, ferramenta ou conhecimento à nossa classe, de modo, que possamos ficar mais seguros e confortáveis na solitude de nossa própria essência.

Num alçar de voo, temos unido toda uma filosofia milenar e oriental de grandes Avatares que nos conduzem a um treinamento e fortalecimento interior (esta é a minha linha de abordagem), com todo um conhecimento clínico e psicanalítico sistêmico e integrado (Dr. Marcos Fernandes), e temos por fim, conseguimos associar toda a delicadeza e sutileza das essências vibracionais das flores do médico Dr. Edward Bach, como um caminho de autoconhecimento, amor e autocuidado, fortalecendo nossos colegas a uma busca por si e através de si (Dra. Pétuli Consetini).

Nosso trabalho juntos, é torna-los um pouco mais empoderados de sua própria força Ch’i e consciencial, ajudando-os a tirar suas muletas sociais e sua desconexão com o todo.

Todos nós temos nossas dores e sofrimentos, mas o autoconhecimento nos traz poder de decisão, nos trás capacidade de reação com relação ao tempo de permanência nas diversas situações emocionais cotidianas da vida, nos trás silencio e assertividade, e mais ainda, nos tira de uma situação de mendigos de saúde, e de falta de dignidade e de amor e integração. Nossos cursos e pensamentos têm ajudado as pessoas a pararem de claudicar, para que encontrem forças em seu próprio caminhar.

Não estamos mais sozinhos. O portal Soul Vet veio primordialmente com essa missão de conectar as consciências em diferentes níveis e perspectivas, de modo que possamos ter no planeta, uma medicina mais amorosa, lúcida e humanitária com nós próprios inclusive. Sem deixarmos que nossos estados egóicos e desconectados, criem verdadeiras fronteiras de segregação, competição e morte lenta de si e do próximo.

Esse RE-encontro com almas amigas como, o que tive com o Dr. Marcos Fernandes e a Dra. Pétuli Consentini, nos reuniu em uma tríade, que nos fará caminhar para que cumpramos a missão na qual nos foi incumbida por revelações, sensibilidade e de alguma dor coletada de nós mesmos e/ou dos campos mórficos.

Tenho certeza que somos gratos pelas intuições que tivemos e pelas informações que temos exaustivamente buscado através de nossos estudos profundos, e mais ainda, de nossa própria experiência na dor, nas aflições, nos nossos medos e inseguranças, nos percalços e no domínio de nosso próprio ego.

Isso nos fez unir todos esses conhecimentos, que hoje podem ser encontrados em nossos cursos, palestras, atendimentos e bate-papos (pagos e gratuitos).

Nossa proposta é ajudar nossos colegas a saírem de um “falso pedestal social” e ajuda-lo a ser quem ele verdadeiramente é, para que ele possa ter a serenidade e a paz que só vem quando nos amamos. Todo esse processo, mexe e é por vezes doloroso, e preferimos fugir. Mas, aos poucos estamos quebrando barreiras, paradigmas e resistências.

Aonde houver um pedido de socorro, tentaremos criar um circulo de segurança e amor, para que haja o desmoronamento do externo e possamos viver uma vida de verdadeira entrega. Essa mudança interna e reconhecimento de que fomos criados por um sistema falho, nos faz galgar por caminhos mais coerentes, que automaticamente e naturalmente, chegarão em nossos atos e condutas médicas e com nossos pacientes e familiares.

A pergunta da estudante Gabriela Urbina (UFRR), é tão intrigante quanto profunda. “O que faz um médico/curador ajudar o próximo, quando ele próprio não consegue cuidar de si?”

A resposta do Dr. Marcos Fernandes no vídeo desta semana, responde em parte ao questionamento da Gabriela e de muitos de nós, sabe porque? Porque a outra parte da resposta, só uma pessoa pode complementar: Você próprio…

Convido-os a compartilhar conosco esse momento, deixando nos comentários abaixo, algo que para você dói e machuca ao ser um médico veterinário…ou o seu sentimento, do porque somos canais de cura dos outros, antes de sermos de nós próprios?

A este sublime momento, dedico e compartilho da minha própria dor de ter sido uma médica veterinária, antes de saber quem verdadeiramente eu sou (SOUL).

Com afeto e amor
Dra. Carla Soares
Diretora do Portal Soul Vet.

Clique aqui e assista o vídeo da Gabriela com o Dr. Marcos Fernandes

Uma resposta para “Quando a pergunta é simples, mas é profunda!”

  1. Muitos dos questionamentos apresentados no texto, são situações reais em que me deparei em algum momento da minha profissão, ou mesmo como estudante. Mas uma que me machucou profundamente como ser humano foi estar de Atestado Médico de uma cirurgia nos dentes e boca, estar cheia de pontos, e ter recebido uma ORDEM do um superior militar na fronteira norte do país para ter ido atender um animal proveniente de Magia Negra, e como durante o atendimento eu fiquei muito tempo com a cabeça abaixada e muito estresse de ver um filhote de caprino com a barriga aberta e cheia de oferendas de magia negra dentro dele, e ainda por cima vivo.., quando cheguei em casa, além da dor no meu coração de ter visto pela primeira vez um animal vivo com todo o abdomem aberto e costurado com fios de pesca, meus pontos da minha gengiva acabaram se rompendo e eu tive uma hemorragia e perdi todo o implante e enxerto que eu havia feito. Tive que ser removida para Brasilia de urgência direto para o centro cirúrgico. Tudo porque não fui respeitada em meu tempo de repouso.

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