Como estar consciente numa consulta? A respiração e a naturalidade podem ser alguns dos caminhos.

Quando nos formamos, somos praticamente um “andróide” programado para o exercício da medicina (às vezes, nos mantemos robotizados até o fim…risos).

Nos preocupamos com nossa aparência, nossa fala, com nossas prescrições, com o estilo do nosso carimbo, nossos receituários e com o lugar certo do estetoscópio, mas poucas vezes nos atentamos em nós próprios. Em como estamos nos sentindo nestes momentos.

Todos esses protocolos externos são de uma “certa” forma importantes, porém o que trago aqui para reflexão é, principalmente, para os médicos veterinários integrativos/holísticos, que abrangem outros aspectos do paciente, que não é só o físico, é lembrarmos que para uma consulta, onde consideramos a semiologia da “energia”, devemos então, naturalmente ter nossa auto-consciência aflorada!

É tentarmos nos harmonizar em nossos sentimentos, emoções e pensamentos, sobretudo, nos destituindo de julgamentos aos tutores, por mais bizarro que seja a “história” que ele esteja nos contando.

Temos que estar neutros, entregues, leves e mais uma vez: conscientes! Conscientes do nosso amor, da nossa compaixão, de quem somos na essência. Nestas horas, esqueça os títulos e toda a performance externa. Não fique na defensiva. Tente relaxar (entregar-se) um pouco.

E para lembrarmo-nos disso, é muito importante focarmos em nossa respiração. Se você for um médico reikiano, melhor ainda porque já há uma base. Prepare seu consultório com as limpezas e proteções energéticas. Prepare-se fisicamente com uma pequena pausa de silêncio. Faça uma breve meditação em Gasshô, para conseguir estar presente, consciente e calmo na essência.

Respire e tente falar de forma amorosa. Explique sua prescrição com afeto, paciência, resignação e compaixão. Ao se mover pelo consultório, preste atenção em sua respiração e na força que imprime em seus passos.

Aprendi na prática que faz muita diferença quando recebo meu paciente sentada, passiva e com aquele ar meio blassê, e quando resolvo levantar-me, abrir a porta e recebê-lo com um sorriso e com um “seja bem vindo”. Faz diferença, teste você mesmo.

Faz diferença também, a primeira pergunta que fazemos. Em geral perguntamos logo, o que o “Rex” tem. Mas, antes, obviamente de fazer a pergunta que trouxe o “Rex” ao consultório, tente respirar e olhar com os olhos serenos o tutor, e pergunte de forma amorosa: “Como estas se sentindo? Além do “Rex”, o que te trouxe ao meu encontro?

Bom, nesse momento devemos estar claramente entregues para as possíveis trocas, pois pode anotar em seu caderninho de observações da vida. Em geral, há um derretimento de emoções por parte do tutor, que nos conduzem a grandes e importantes desfechos clínicos.

Há sempre uma história a ser contada. Ouça. Há uma dor a ser compartilhada. Há uma alegria também. Mas é nesse momento de transferência e contra-transferência que sua consulta se inicia. Tudo isso nos levará ao “Rex”, lembra? Seu paciente.

Mas nessa amorosa troca inicial é que perceberás como médico holístico, o que pode estar havendo entre o tutor e o seu animalzinho. Os espelhamentos clínicos, os excessos e as faltas (os desequilíbrios energéticos). Como clínico, seu olhar deve estar atento. Mas seu campo áurico e sua glândula pineal devem estar ativada e seu chacra cardíaco deve estar consciente, para a percepção energética do campo naquele momento estabelecido.

Durante as consultas, não só doamos nossa atenção, conhecimento e energia. Podemos igualmente estar abertos para receber algo magnífico também. As vezes é uma dor compartilhada que vem com pequenas curas de entendimento e solidariedade. As vezes é um sinal para uma resposta que estávamos buscando. As vezes é só um silêncio mesmo, mas cheio de significados. As vezes é um aperto de mão com respeito ou um abraço emocionado. Sempre algo pode acontecer. Basta estarmos atentos no aqui e no agora.

Esta parte semiológica não aprendemos nas escolas de medicina veterinária, portanto, parece estranho fazer algo fora do protocolo acadêmico.

Mas, sinto que ao longo dos anos, essa semiologia energética se encaixará como uma necessidade que não pode mais ficar guardada embaixo do tapete (digo, ciência).

Felizmente, alguns grupos encabeçados por médicos humanos e veterinários renomados estão trabalhando para que aos poucos a semiologia energética possa ser conduzida em nossos consultórios de uma forma mais ostensiva, científica e desenvergonhada.

Enquanto não há um protocolo sistematizando a conduta médica e as investigações clínicas nesta perspectiva, ainda me apego ao meu caderninho de notas, aos meus insights e a minha sensibilidade. Trabalho meu chacra cardíaco e frontal com muita meditação, observação e liberdade.

Para muitos, demonstrar afeto e sensibilidade é sinal de fraqueza. Mas é ao contrário. Quanto mais autoconhecimento, menos vibração de medo e insegurança teremos conosco e com o próximo.

Infelizmente, não somos “treinados” para confiar em nós. Mas, durante a caminhada é necessário que relembremos sobre a importância de ter segurança em nossas intuições, que jamais serão incompatíveis com nossos conhecimentos técnicos e clínicos.

Tentem sempre repetir em voz alta: “é seguro confiar em mim… é seguro confiar em mim… é seguro confiar em mim…”.

 

 

                                                      Com profundo carinho
Carla Soares

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