Sim, somos substituíveis.

Uma das maravilhosas coisas que aprendi peregrinando por diferentes lugares e diversas formas de me expressar como Ser e como médica, foi que somos substituíveis. Doeu? Então, mas confie, é libertador.

No início foi muito doloroso para mim, porque ao assumirmos que somos substituíveis, inevitavelmente esbarraremos em nosso ego não pacificado, que insiste em querer nos manter em “altares sociais,  profissionais e afetivos”. Porém, com o tempo, afirmo-lhes: foi libertador assumir que no meu lugar pode ter outra pessoa… pois essa condição, me libera para outras coisas e experiências.  No início dói e ficamos de mimimi (risos), mas depois vem uma puta sensação de liberdade, porque podemos tirar excelentes proveitos do “trono” desocupado.

Passado o primeiro desconforto, vem a sensação calma para o ego mimado, depois vem a sensação de que meu “rei da barriga” foi tirado, e num passo mais adiante, me trouxe lucidez, me trouxe consciência, me trouxe humildade sem me trazer insegurança. Vou repetir: humildade sem trazer insegurança.

Podemos sim, sermos demasiadamente importantes numa relação de espaço-tempo, mas sempre haverão outras pessoas nas intersecções físicas dos encontros da vida que igualmente cumprirão o que deve ser feito num “X” momento. Pessoas estas, tão capazes, tão competentes e tão generosas como você.

Outra questão que aprendi ao saber que somos substituíveis, foi organizar meu tempo, horários e compromissos. Esse é o presente que conquistamos quando nos respeitamos como seres.

Ou seja, consegui bancar o “não me colocar” para além do que quero e posso dar a uma determinada situação. Isso se chama: autorrespeito.

Muitas vezes me coloquei em situações, que hoje vejo que não queria de forma alguma estar ali. Principalmente em alguns aspectos profissionais e sociais da minha vida.

Devemos prestar atenção nesta doação de tempo e energia as pessoas, as coisas e aos “compromissos”. Só podemos dar e trocar, quando temos sobrando em nós. E muitas vezes, percebo que damos sem ter nem para nós.

E foi desta forma que trouxe verdadeiramente para minha vida um dos maiores ensinamentos de Jesus: “Ame ao próximo como a ti mesmo”. E estou seguindo ipsi litteris o que esse Avatar nos deixou. Como posso respeitar o próximo, se não respeito minhas próprias emanações e vontades?”. Isso não é egoísmo, é amor verdadeiro a si próprio.

Quando estamos corrompidos pela mente coletiva, é onde vem uma exaustão vazia, uma sensação de inadequação, vem as frustrações e as vezes aquela silenciosa frase: “Eu não queria estar aqui”, ou “o que eu estou fazendo aqui com essas pessoas?”

Desta forma, consegui dedicar e expandir minhas 24 horas, onde me dedico aos pacientes, aos afazeres cotidianos, aos meus esportes, as minhas leituras leves, a minha família/amigos. E, mais importante, a jornada interior para o meu Ser.

Dedico muito tempo ao meu autoconhecimento e ao exercício da minha mediunidade como ferramenta biológica a ser utilizada a meu favor.

Percebo que muitas pessoas têm dificuldades de se voltar ao trabalho interior, porque parece que somos “vagabundos” quando não estamos naquela correria sem sentido da vida. Nos julgamos e nos culpamos, e assim, acabamos por ser arremessados novamente a roda de Sânsara.

No início, quando decidimos parar um pouco, é fato: nos sentimos desconfortáveis e inadequados. Mas é natural, uma vez que o modo operadis ocidental nunca nos preparou para parar, e sim, somente para correr atrás de algo. Estamos sempre correndo, escolhendo, pegando, nos abastecendo. Nunca conseguimos permanecer no vazio e no silêncio. E é esse o ponto, aonde estou querendo chegar. Nada para por nossa causa. Nem o facebook (risos), nem o planeta…

Assim, sabendo que sou substituível e não querendo mais “pagar de bonitona”, dispenso muitas horas ao vazio das práticas de meditação, conectando-me com minha essência e conseguindo responder em parte à pergunta: Quem eu sou? E melhor, sem culpa.

Nesta perspectiva, ganhei em qualidade de vida e na forma de me relacionar com o mundo e com as pessoas. E, penso que em muito vale a pena essa jornada interior.

Esse aprendizado diluiu meus medos, diluiu minhas dores, diluiu minha arrogância, me fortalecendo em fazer o melhor possível num determinado momento. Me fez exercer de fato, e de direito, a minha presença de espírito.

Ou seja, quando estou… estou. Quando não estou… não estou.

E, quer saber no que há de errado em ser substituível? Nada.

Apenas uma sensação de leveza e liberdade de cada vez mais saber quem eu sou…

Namastê
Carla Soares

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