A dor do tráfico e as terapias integrativas: uma visão holística do caos

Morei muitos anos na fronteira norte do país. Estado Roraima, floresta amazônica, fronteira com a Venezuela e a Guiana Inglesa. Percorri toda a fronteira de carro, barco, avião e helicópteros. Tive o privilégio de peregrinar e poder receber centenas de animais provenientes do tráfico internacional, trabalho este fruto de minha pós-graduação.

Hoje já com a sensibilidade muito desenvolvida, não consigo mais trabalhar com essa dor (trabalho com outras dores, mas essa eu não consigo mais). Mas, na época, eu ainda estava revestida de um certo verniz de frieza que me permitiam ter contato com esses animais provenientes de maus-tratos. O sórdido comércio de fauna, extrupia os bichos, indignifica, desrespeita, machuca. A dor física e emocional destes animais desafortunados, me fizeram ter forças para ajuda-los.

Quando eu os recebia, sobretudo em grande quantidade, eu não conseguia ter uma pronta ação. Eu, muitas vezes simplesmente parava, e colocava-os em um local mais tranquilo, sombreado e com agua limpa e fresca. Quando falo de “grandes quantidades”, estou me referindo a uma pequena equipe, receber centenas e milhares de animais de uma única vez.

Eu ficava ali olhando-os desorientados e perdidos. E ia sentindo a energia dos grupos, dos bandos e dos “bolos” (porque muitas vezes recebia muitas espécies diferentes e misturadas). Nesta percepção energética, eu triava-os em: muito “fudidos”, “quase mortos”, “há energia de vida – Chí”, e por ai vai. Separava-os e prestava o pronto atendimento. Infelizmente, em se tratando de fauna e do violento e cruel tráfico, a maioria morre de estresse e dor.

Mas, os sobreviventes, tinham uma energia que não poderia ser desperdiçada. Sempre lancei mão da terapêutica com florais, homeopatia e uma bela dose de bondade em seus recintos. Os abrigos tinham que ter acolhimento. Sabe…aquele escurinho, quentinho com comida e agua fartas, que nós também tanto desejamos.

Minhas prescrições com florais e homeopatia eram voltados para o trauma emocional e físico, sobretudo para ansiedade, medo e o terror. Muitos animais apresentavam um comportamento pós-traumático tão violento, que era difícil até uma aproximação.

No curso prognóstico, observava que os animais selvagens respondem maravilhosamente bem a essas condutas terapêuticas. Alguns aspectos importantes eu já percebia após iniciar o tratamento:

Os animais ficam menos reativos e aceitam melhor o tratamento (mesmo alopático quando necessário);

– Os animais covalescem mais rapidamente, sobretudo, na aceitação da alimentação, adaptação ao recinto, não agressividade aos tratadores;

– Ciclo de vigília e sono normalizados;

– Ganho de peso em curto prazo;

– Socialização e aceitação e curiosidade aos enriquecimentos que aos poucos eram integrados aos recintos;

– Recuperação mais rápida de penas e pêlos;

– Formação de novos pares (bem observado em Psitacídeos).

Nos casos mais graves, eu não podia excluir antibióticoterapia devido a alta contaminação avançada de alguns ferimentos mutilantes, mas nunca excluía a homeopatia, os florais e o bem-estar animal.

Posso, ao longo dos anos de experiência que tive, reafirmar: A medicina holística/integrativa em animais silvestres é sucesso, sobretudo, devido a alta sensibilidade do campo energético que esses animais possuem.

E tanto em casos traumáticos (dos quais eu experenciei), como nos casos mais suaves de animais legalmente criados em casa como Pets, a medicina holística tem total espaço para sua atuação neste grupo de animais, sem tantos bloqueios de cura que os animais domésticos podem possuir devido ao alto contato secular com a nossa energia.

Desta forma, os tratamentos holísticos são bem-vindos e prósperos com animais selvagens, afinal, esse grupo tão especial de pacientes, muitas vezes já sabe o que deve ser feito e de forma natural, quando estão livres em seus ambientes naturais.

Essa ancestralidade de sabedoria que estes bichos carregam, é o que deve notado e considerado nas condutas clinicas dos médicos veterinários integrativos de animais selvagens, que podem observar pela experiência uma reação mais satisfatória com tratamentos holísticos, uma vez que estão em plena harmonia com a energia natural destes animais.

Namastê
Carla Soares

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